Conversando com um cristão protestante, falei-lhe algo referente ao
Cristianismo. Ele, imediatamente, perguntou-me: "Onde está isso na Bíblia?”.
Ao observar a sua esperteza, ou melhor, a insinuação para dar início a
um bate-boca, o bom senso iluminou-me a usar-me da prudência, um dos sete dons
do Espírito Santo, o qual todos os cristãos conscientes recebemos do céu e,
além do mais, de modo gratuito. Assim, prudentemente calei-me.
Atirar-me a um debate infindável?... É perder tempo. Não é, porém,
omissão. O silenciar-se é algo que os fortes o usam a fim de evitar desgastes;
enquanto os fracos, fincados na insistência verbal, desprezam-no, além de se
exasperar, por não ter ido à frente, no embate.
Agora, surge-me indagação: na Bíblia, há passagem que indica ser ela a única
fonte de revelação? Há cristão, no entanto, que se posiciona de modo
“dogmático”, o qual se conduz por uma pretensa inabilidade: tentar convencer de
que a Bíblia é um livro de linguagem unilateral.
Para não perder tempo, adianto: não há Bíblia sem Tradição. Recorrendo
ao dicionário, lá está escrito: Tradição: “transmissão de valores espirituais
através de gerações”. Isso significa que a própria Bíblia manda guardar o que
foi transmitido oralmente e praticado pela comunidade apostólica.
Foi através da Tradição que, inspirado pelo Espírito Santo, o
Cristianismo conseguiu definir os livros do Novo Testamento. Ainda, por meio da
Tradição, ocorreu a construção da História do Cristianismo, através dos séculos
e milênios, e fundamentados em inumeráveis ensinamentos de vida, como de
mártires, de santos, de convertidos, de estudiosos bíblicos e de defensores das
inúmeras heresias. Poderia informar mais exemplos da Tradição cristã, desde a
Igreja Primitiva até o que se guarda nos dias atuais.
Cristianismo sem Tradição não há. Cristianismo sem Bíblia, idem. Do
mesmo modo, Cristianismo sem Magistério. Assim, o Cristianismo é fundamentado
no Livro Sagrado, na Tradição, na Doutrina, no Magistério, além de outras
fontes como hagiografia, ou a vida de santos.
Cristianismo não é religião de um livro. Todavia é mais prudente o
cristão educado se calar e rezar com fé, na esperança de uma mudança de
pensamento daqueles cristãos, irmãos separados, que não visualizam, nem
conseguem distinguir, a importantíssima tradição católica.
JN. 2019 d.C. Dantas de Sousa Eurides