Diante de cordas luxuriantes do violino,
recheadas da sensual época distante,
envolvo-me em chispas de melancolia.
Expressão fagulhenta da imaginação:
mulheres a dançar, de longos cabelos
e de roupas coloridas a voar.
Homens a deleitar-se com estrelas,
deitados, após a labuta incessante.
A melodia se vai lânguida na tarde.
Com olhos da alma, exprimo em sonhos
grande tristeza - minha segunda linguagem.
Melancolia: meu anseio ibérico entre gitanos.
Melancolia: meu eu regado a tinto seco,
em sol nordestino, de nuvens desnutridas.
À medida que meu vigor se esmaece,
os olhos castanhos, nas sombras do futuro,
ensaiam-me sutil inédito melodrama.
JN. Dantas de Sousa, Eurides.